Joubert Araújo Martins ou simplesmente
Beto. Conhecido pela irreverência, simplicidade e boa pontaria, o ex-jogador
dos quatro grandes do Rio de Janeiro e da Seleção Brasileira recebeu nos
recebeu para um bate-papo aberto e descontraído em sua residência, no Recreio
dos Bandeirantes/RJ.
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| Beto e Bruno Velasco após a entrevista. |
Humilde, simpático e sempre com um
sorriso, Beto lembrou os tempos em que jogava bola e não ganhava nenhum
centavo. Foi desta forma que encontrou o Botafogo. Enfrentou os cariocas e o técnico
alvinegro quis contratá-lo Acabou trocado por 50 pares de chuteiras que
decidiriam sua sorte de maneira ímpar.
Assim que chegou ao Glorioso, foi Campeão
Brasileiro num time recheado de craques como Túlio, Donizetti e Sérgio Manoel.
Com atuações que renderam destaque, Beto foi convocado para a Seleção
Brasileira. Em 1996, chegou a disputar o Pré-Olímpico marcando gol salvador
diante da Argentina. Contudo, não foi relacionado para os Jogos Olímpicos
devido a uma contusão. Defendeu o selecionado na Copa América, em 1999, quando
o Brasil foi Campeão.
Ainda no que diz respeito à Seleção, Beto
teve chances de disputar a Copa de 1998, contudo ficou na lista de suplentes e
mesmo com o corte de Romário não foi convocado. Viu Emerson ser chamado e o
Brasil perder a final para a França. Em 2002, mais uma vez o sonho foi
desfeito. Com o corte do mesmo Emerson, viu Ricardinho – então no Corinthians –
alcançar o posto pretendido, sagrando-se Pentacampeão com a Seleção de Luiz
Felipe Scollari.
Quanto ao time de coração, não esconde o
carinho pelo Botafogo que o projetou para o cenário Nacional e Internacional,
mas se diz abertamente Rubro-Negro: “ – Sou Flamengo desde criança”.
Após passagem pelo Napoli/ITA, entre
1996/97, onde foi recebido com status
de ídolo, Beto desembarcou no Sul do país onde defendeu o Grêmio antes de
seguir para o Flamengo. Lá, entre 98-2002, com breve passagem no São Paulo FC em
2000, realizou o desejo de jogar pelo clube de coração.
Das memórias mais marcantes estão os gols
épicos de Petkovic contra Vasco e São Paulo. Sorridente, revelou que na final
de 2001 Petkovic havia sido afastado. Mas os jogadores se reuniram com Zagallo solicitando
que reconsiderasse a decisão. Sorte do Flamengo que conseguiu se sagrar campeão
justamente pelos pés de Pet.
Em 2002, defendeu o Fluminense no
Brasileirão a pedido de Romário. Contudo por este clube não conseguiu ser campeão.
Em 2003, chegou ao Vasco e conquistou o Carioca daquele ano. Chegou a retornar
em 2008, mas encerrou sua segunda passagem sem título.
Dos episódios marcantes, relembra com
alegria quando estava no vestiário do Vasco, de boné [o que era proibido], e
Eurico Miranda [ex-predidente do Vascaíno] o questionou se estaria sol dentro
vestiário. Do apelido que recebeu de ‘Beto
Cachaça’, diz que não condiz com a verdade:
“ - Bebo apenas cerveja”.
A pichação dos muros da Gávea com estes
dizeres foi atribuída à torcida vascaína em virtude do primeiro jogo ter
terminado com vantagem para os mesmos. Mas o resultado foi revertido em jogo de
gala de Beto e Pet, este se consagrou definitivamente com a 10 de Zico. Aliás, ressalta
que fato o motivou bastante naquela segunda partida, bem como a todos os demais
jogadores.
Beto é um exemplo de jogador bem sucedido.
Poderia ter tido voos mais altos, mas percalços o impediram de chegar mais
longe: “ – quando se deixa de ter empresário,
fica difícil”. Mesmo sem contar com a publicidade e o marketing de agentes,
Beto fez bela história no futebol Brasileiro e Internacional. O ex-jogador rechaça
a fama de indisciplinado. Hoje, não passa por dificuldades financeiras por
saber gerir seus recursos de forma consciente.
Da vida de jogador, hoje, resta o bom
investimento que fez e os acordos que – segundo ele – permitiram que Flamengo e
Grêmio quitassem suas parcelas em atraso com o meia recentemente. Atualmente,
defende o Flamengo no Futebol de 7. Quanto ao futuro, seu filho, que à espreita
acompanhou toda entrevista, quer ser jogador. Assistindo ao DVD de uma das
partidas do filho, Beto, em sorrisos, disse que o menino é bom de bola. Nesta
família, bom futebol parece estar na genética.
Camisa Rubro-Negra

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